Organizar corretamente o repasse de honorários médicos é um dos principais desafios financeiros de clínicas que trabalham com diferentes profissionais, formas de pagamento e convênios.
Imagine uma clínica que recebe R$ 100 mil durante determinado período. Esse valor não significa necessariamente que a empresa possui R$ 100 mil disponíveis para pagar suas despesas. Uma parcela pode precisar ser repassada aos médicos responsáveis pelos atendimentos.
Quando esse controle não é realizado, surgem problemas como pagamentos incorretos, divergências com profissionais, dificuldades de conciliação e uma visão distorcida do fluxo de caixa.
Por isso, a clínica precisa estabelecer regras claras e possuir processos capazes de relacionar cada atendimento ao respectivo recebimento e ao valor devido ao profissional.
Neste conteúdo, a Terceirize Finanças explica como organizar o repasse de honorários médicos e tornar a gestão financeira da clínica mais eficiente.
Como funciona o repasse de honorários médicos?
O repasse corresponde ao pagamento realizado pela clínica ao profissional de acordo com as regras estabelecidas entre as partes.
A forma de cálculo pode variar bastante.
Existem clínicas que trabalham com um percentual sobre o valor do atendimento. Outras estabelecem um valor fixo por consulta ou procedimento.
Também podem existir modelos diferentes para cada médico.
Por exemplo:
- Médico A: recebe 60% das consultas;
- Médico B: recebe R$ 200 por atendimento;
- Médico C: recebe 70% de determinados procedimentos;
- Médico D: possui regras diferentes para particular e convênio.
Quanto maior a clínica e a quantidade de profissionais, maior a complexidade. Por isso, o primeiro passo é evitar acordos informais ou regras que existam apenas na memória dos gestores.
Como definir as regras de repasse?
As condições precisam ser documentadas e conhecidas tanto pela administração quanto pelos profissionais.
É importante estabelecer questões como:
Qual é a base do cálculo? O percentual incide sobre o valor bruto do atendimento ou sobre o valor líquido após determinadas deduções?
Quando ocorre o repasse? No momento do atendimento, após o recebimento do paciente ou em uma data fixa?
Como ficam taxas e descontos? Quem suporta descontos concedidos ao paciente, taxas de cartão e outras despesas previstas no acordo?
Como são tratados cancelamentos? É preciso estabelecer o procedimento para estornos, cancelamentos e devoluções.
Existem regras diferentes por serviço? Consultas, exames e procedimentos podem ter percentuais distintos.
Quanto mais claras forem essas definições, menor será a possibilidade de divergências posteriormente.
O repasse deve ser feito no atendimento ou no recebimento?
Imagine que um paciente realize um procedimento de R$ 2.000,00 no cartão parcelado, sendo que o médico tenha direito a 60%. O repasse corresponderia a R$ 1.200,00.
Se a clínica pagar o médico imediatamente, mas receber o valor do paciente ao longo dos meses, precisará financiar o intervalo com recursos próprios.
O mesmo problema pode ser ainda mais relevante com convênios, que podem possuir prazos específicos para pagamento.
Por isso, uma alternativa utilizada por muitas operações é relacionar o repasse ao efetivo recebimento dos valores, desde que essa condição esteja previamente definida entre as partes. Dessa forma, a clínica reduz o descasamento entre entradas e saídas financeiras.
Como controlar os recebimentos antes de realizar os repasses?
Uma das etapas mais importantes da gestão de uma clínica é a conciliação financeira. Não basta olhar os atendimentos registrados na agenda, é preciso saber quais valores realmente foram recebidos.
Considere um mês com:
R$ 200 mil em atendimentos realizados.
Desse total:
- R$ 80 mil foram recebidos à vista;
- R$ 50 mil estão em cartões a receber;
- R$ 70 mil dependem do pagamento de convênios.
Se o repasse for calculado sobre os valores efetivamente recebidos, não seria correto utilizar automaticamente os R$ 200 mil como base.
Por isso, a gestão precisa conciliar:
- Atendimentos realizados;
- Notas fiscais;
- Recebimentos em dinheiro ou Pix;
- Cartões;
- Transferências;
- Convênios;
- Contas a receber;
- Estornos;
- Inadimplência.
Somente depois dessa conferência os valores estarão preparados para o cálculo conforme as regras acordadas.
Por que não se deve misturar repasses com despesas da clínica?
Um dos erros de gestão é observar todo o dinheiro que entra na conta bancária como receita disponível para a operação.
Parte dos valores pode estar comprometida com os repasses aos profissionais.
Se a clínica utiliza esse dinheiro para pagar aluguel, fornecedores, impostos ou outras despesas, pode chegar à data do repasse sem recursos suficientes.
Por isso, a gestão financeira deve identificar claramente:
- Receita destinada à clínica;
- Valores destinados aos médicos;
- Impostos;
- Despesas operacionais;
- Disponibilidade efetiva de caixa.
Essa separação melhora significativamente a qualidade das decisões financeiras.
Como montar um demonstrativo de repasse?
Cada profissional deve receber um demonstrativo detalhado. O documento pode apresentar informações como:
- Período de referência;
- Atendimentos considerados;
- Paciente ou identificação do atendimento;
- Serviço realizado;
- Valor cobrado;
- Valor efetivamente recebido;
- Percentual ou regra de repasse;
- Deduções previstas;
- Ajustes;
- Valor final devido.
Isso proporciona transparência. O demonstrativo também cria um histórico que facilita conferências futuras.
Se o médico tiver alguma dúvida, a administração consegue localizar rapidamente a origem do cálculo em vez de precisar revisar dezenas de extratos bancários e planilhas.
Quais são os erros mais comuns no repasse médico?
Alguns problemas aparecem com frequência em clínicas que ainda não possuem uma gestão financeira estruturada.
Entre eles estão:
- Calcular repasses manualmente sem conferência;
- Não conciliar cartões;
- Pagar sobre valores ainda não recebidos sem planejamento;
- Ignorar glosas;
- Não registrar estornos;
- Utilizar percentuais desatualizados;
- Misturar dinheiro dos repasses com o caixa operacional;
- Não fornecer demonstrativos;
- Não acompanhar contas a receber;
- Manter regras diferentes sem documentação.
Esses erros podem provocar tanto pagamentos maiores quanto menores que os valores realmente devidos. Além do impacto financeiro, isso prejudica a relação da clínica com seus profissionais.
Como o BPO Financeiro pode ajudar uma clínica?
O BPO Financeiro consiste na terceirização de rotinas financeiras para uma equipe especializada.
No caso de clínicas, esse serviço pode assumir atividades como:
- Conciliação bancária;
- Contas a pagar;
- Contas a receber;
- Conferência de recebimentos;
- Acompanhamento dos cartões;
- Organização dos repasses;
- Elaboração de demonstrativos;
- Atualização do fluxo de caixa;
- Produção de relatórios gerenciais.
Com isso, gestores e profissionais de saúde deixam de gastar tempo realizando controles manuais e passam a ter informações mais organizadas para tomar decisões.
Além disso, uma rotina financeira estruturada ajuda a identificar antecipadamente diferenças de caixa, atrasos e inconsistências nos repasses.
Organize os repasses e tenha mais controle financeiro na sua clínica
Saber como organizar o repasse de honorários médicos é fundamental para preservar o caixa e manter uma relação transparente com os profissionais.
O processo deve começar com regras claras e passar pela conciliação dos recebimentos, cálculo dos valores, conferência e apresentação de demonstrativos.
Quanto maior o número de médicos, convênios e formas de pagamento, mais importante se torna possuir uma gestão financeira estruturada.
A Terceirize Finanças pode cuidar das rotinas financeiras da sua clínica por meio de um serviço especializado de BPO Financeiro, proporcionando maior controle sobre recebimentos, pagamentos, repasses e fluxo de caixa.
Entre em contato com a Terceirize Finanças e descubra como organizar o financeiro da sua clínica com processos, tecnologia e informações confiáveis para a tomada de decisão.